10 maiores defeitos de um gastador
Publicado Janeiro 11, 2010 por Pedro Pais
Há algum tempo atrás publiquei um artigo na revista do jornal i sobre os 10 maiores defeitos de um gastador e como os corrigir. Como o acho interessante partilho-o hoje convosco, na expectativa que ajude a melhorar alguns padrões negativos de consumo.
Não saber quanto pode gastar
Elaborar um orçamento familiar. Tomar nota daquilo que ganha e daquilo que tem para pagar todos os meses dá uma ideia muito clara do dinheiro que vai (ou não) sobrar. Parte desse excesso deve ser canalizado para as poupanças, enquanto o restante pode ser utilizado de forma mais liberal.
Comprar por impulso
Não comprar nada sem pensar pelo menos 5 minutos no porquê e nas implicações da compra. Algumas das perguntas que deve fazer a si próprio são: Para que é que preciso disto? Quanto me vai custar ao fim de um ano se comprar todos os dias/semanas/meses? Não tenho já nada igual ou parecido?
Ver apenas o preço imediato
Calcular o valor global de uma compra. Regra geral qualquer compra vai exigir custos adicionais, que por vezes somam mais que o preço inicial. É preciso especial atenção com consumos, produtos complementares, manutenção e despesas recorrentes.
Utilizar crédito para despesas não essenciais
Não comprar ou então pagar a pronto. Pagar a crédito despesas que não são essenciais (por exemplo viagens, equipamentos tecnológicos, jóias, etc) tem o problema de nos levar a comprar coisas acima das nossas possibilidades, uma vez que pensamos no valor a pagar ao mês e não no total. Além disso, neste tipo de compras as taxas de juro são normalmente elevadas, o que torna a opção do crédito muito cara.
Comprar o que não precisa
1: Manter uma listagem daquilo que já tem. Muitas das compras que se acaba por fazer são em duplicado, pois facilmente se perde a noção do que temos e acabamos por voltar a comprar: dinheiro deitado ao lixo.
2: Pensar bem no objectivo que vai concretizar com a compra. A tentação de comprar algo é enorme, mas só o deve fazer se tiver um objectivo bem definido. Para quê comprar um martelo se não tiver pregos para pregar?
Optar por serviços com assinatura mensal
Sempre que possÃvel optar por serviços que se pague apenas uma só vez. Os serviços com assinatura mensal têm o principal problema de gastarem o dinheiro de forma automática, sendo péssimo para uma boa gestão das finanças pessoais. Adicionalmente, é frequente acabar por pagar todos os meses uma coisa que raramente utiliza (por exemplo o ginásio, subscrições de revistas, time-sharing, etc).
Ser um early-adopter
Pensar que adiar a compra por algum tempo trará benefÃcios financeiros e de funcionalidade. Ao adiar a compra por algum tempo (em certos casos basta umas semanas) poderá comprar os mesmos produtos mas mais baratos e em muitos casos com mais funcionalidades (especialmente na tecnologia).
Comprar por prazer
Arranjar formas alternativas de se sentir bem, tais como fazer desporto, voluntariado, ajudar um amigo ou falar com a famÃlia. Quando se efectua uma compra a gratificação pode ser imediata, mas de muito curta duração. Se ao invés arranjar mecanismos mais sustentáveis, irá sentir-se melhor e por mais tempo, enquanto aproveita para poupar.
Não manter um fundo de emergência
Colocar pelo menos 10% dos rendimentos numa conta à parte, logo que recebe o vencimento. O segredo da poupança é torná-la obrigatória e prioritária, pelo que ao colocar à partida uma parte de lado consegue, pouco a pouco, ir acumulando algum dinheiro que pode utilizar apenas numa emergência.
Pagar tudo com cartão
Levantar dinheiro apenas uma vez por semana e pagar tudo com dinheiro. Ao levantar dinheiro apenas uma vez por semana já sabe quanto pode gastar, o que vai ajudar a gestão do dinheiro. Além disso, o facto de pagar com algo fÃsico (notas, moedas) é mais doloroso do que pagar com dinheiro virtual (cartões de crédito ou débito), uma vez que terá o efeito visual da carteira a emagrecer.
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Em relação à última, fico dividido. Se por um lado reconheço que com cartão gasta-se dinheiro mais facilmente, por outro acho que o cartão, por via do relatório de movimentos da conta, facilita que mais tarde se consiga perceber onde é que se andou a gastar dinheiro (sem andar a anotar tudo num papelinho).
Hello Pedro,
Realmente identifico em mim várias das coisas que cá falas (algumas das dicas que dás sempre as fiz porque fui educado dessa forma [ie: não gastar o dinheiro que não tenho, evitar créditos ao máximo]).
No entanto, sofro de um mal terrÃvel: comprar por impulso…como forma de satisfação temporária!
Sem dúvida que tens toda a razão. Não o devemos fazer, é um desperdÃcio de dinheiro e a satisfação é temporária mas é muito difÃcil resistir.
Durante o ano passado tive experiências mistas em relação a isto.
Comecei uma dieta em Fevereiro e, por me estar a privar de comida, sentia uma necessidade enorme de preencher o vazio com bens materiais.
Cerca de meio do ano comecei a ter a certeza que iria mudar de paÃs pelo que tive mais refreio em alguns dos impulsos!
Mas é ridÃculo…eu cheguei ao ponto de comprar coisas que nem sequer tirei da caixa (ou, tirei mas nunca liguei)! Estou a lembrar-me, por exemplo, de uma Nintendo GameCube ou uma Phillips Cd-I…
Nas férias de Natal voltei a Portugal e decidi vender grande parte das minhas coisas. Ai deu para ver quanto dinheiro desperdicei durante os últimos tempos…
A única vantagem é que, das coisas que vendi, como comprei agora nos Estados Unidos e o dollar está mais baixo do que o Euro, o valor da venda em Portugal deu para comprar cá as coisas novas
)
Mas tenho notado que, mesmo assim, parece que não aprendi a coisa…
Talvez seja por me estar a integrar cá e porque preciso, de facto, das coisas (bem, talvez não de tantas quanto ando a comprar…)!
Ou seja, o tÃpico ciclo vicioso
)
Hugz,
Luis
@João,
De um ponto de vista orçamental tens toda a razão, uma vez que é mais fácil ligar a utilização do cartão à despesa. Contudo, em termos emocionais o sentirmos a carteira ficar mais “leve” tem um efeito muito forte, enquanto pagar com cartão é uma acção desprovida de “perda” aparente.
@LuÃs,
Mudar hábitos não é fácil mas estares consciente dessa “dificuldade” já é meio caminho andado. Estou certo que com o passar do tempo também fiques menos impulsivo e mais ponderado nas despesas.
Boa receita para gestão das finanças pessoais. Mas da teoria ou do ideal ao prático ainda existe uma grande distancia. por exemplo, as pessoas têm cada vez mais receios de manterem dinheiro em suas mãos por vários motivos e preferem usar cartão de crédito.
Os serviços com assinatura mensal são inevitáveis … cada um de nós tem que aderir a dois ou três deles.
Parabéns pela página, vou adicionar às minhas favoritas.
o único conselho que não sigo é o de (não) “Optar por serviços com assinatura mensal”. Telemóvel e ginásio são gastos mensais automáticos. De resto todos os outros truques e dicas funcionam comigo. Talvez o último seja um pouco relativo (por causa dos trocos) mas acaba por funcionar, principalmente se formos “tesos”.. lembro-me dos tempos de faculdade em que 35 euros tinham k dar para 1 semana.
Excelente blog.. continue!
A opção pelos serviços de assinatura mensal é inevitável em alguns casos, é certo. Ainda assim, existem vários casos em que optar por uma assinatura mensal acarreta uma despesa mensal fixa, ou seja, uma poupança negativa fixa.
Uma das dicas que já a pratico há muito tempo, é a de retirar 10% do orçamento para poupança, resulta na perfeição. Num vencimento de 750€, equivale a 75€ por mês, que multiplicando por 12 meses equivale a 900€, juntando 150€ equivalente ao subsÃdios, a poupança anual é de 1050€.
Se for possivel, a não utilização da poupança ao fim de 5 anos teremos poupados +/- 5000 €.
Por dinheiro de parte, ok! Mas teria que ser uma conta, na qual não se gerassem (p.ex) despesas de manutenção e outras. Correcto? Nesse caso, alguma sugestão? De resto acho que até sigo alguns conselhos..
Obrigado
Excelente este blog estimado Pedro.
Concerteza irei recorrer a ele e divulga-lo pelo grupo dos meus melhores amigos, que merecem algo de facto valioso
Eu … já o tenho nos favoritos!
Abraço
José Campos