Cabos de alta tensão: perigos para a saúde

Publicado Agosto 21, 2007 por Pedro Pais

Nos últimos tempos tenho andado à procura de casa e, dentro das imensas variáveis que determinam a escolha, o factor saúde pesa acima de todos. Por isso, das várias vezes que inspeccionei apartamentos, algo que não me escapava era a existência próxima de cabos de alta tensão - motivo mais que suficiente para desistir de casas que, no geral, eram muito atractivas.

Conversa de vendedor

Na conversa com os diversos vendedores e agentes imobiliários, todos garantiam a pés juntos que os cabos de alta tensão não eram prejudiciais e, no pior dos casos, os estudos eram inconclusivos. Claro que não acreditei neles.

Artigos que comprovam

Como não me gosto de fiar apenas nas minhas convicções, pesquisei sobre os efeitos de exposição prolongada aos Campos Electromagnéticos. Encontrei, como de esperar, vários artigos que apontam os malefícios, desvantagens e efeitos nefastos da vivência próxima dos referidos cabos de alta tensão.

O estudo esclarecedor

Entretanto, por mera coincidência, li um post do Vitor Domingos sobre a existência de um dois estudos da Direcção-Geral de Saúde, um sobre a Exposição da População aos Campos Electromagnéticos e outro sobre Sistemas de Comunicações Móveis - Efeitos na Saúde Humana.

Sem querer ser alarmista, acho que este parágrafo é de reter:


É considerado como possível que uma intensa exposição aos CEMs nas habitações possa aumentar ligeiramente o risco de leucemia infantil, e que esta exposição nos locais de trabalho possa aumentar ligeiramente os riscos de leucemia e tumores cerebrais em adultos.

Obrigado, mas não!

Mas não acredite em mim, leia!

Não sei por si, mas já me chegam as radiações que não consigo evitar (telemóveis, redes Wi-Fi, …), agora viver perto de cabos de alta tensão: NÃO!

Filed under Saúde, Sociedade, Tecnologia

Comentários (17)

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  1. Sérgio Carvalho says:

    Já lá vão uns anos, mas na faculdade fizemos uma vez o exercício de calcular o campo electromagnético induzido pelas catenárias. Fica como exercício se estiveres de facto preocupado: Uma catenária conduz a 110kV, com uma corrente entre 50A e 500A. Depois precisas de calcular a densidade do campo eléctrico e usar a lei de Gauss para deduzir a densidade do campo electromagnético. Não é importante a área de condução, porque os valores anulam-se. Precisas de estimar a distância em linha directa entre a casa e a catenária para incluir na lei de Gauss.

    O truque está mesmo na distância. O campo electromagnético induzido é inversamente proporcional ao quadrado da distância ao condutor. Se bem me lembro, basta que a catenária passe dois ou três metros ao lado da casa, e o campo electromagnético da catenária está ao nível do ruído electromagnético criado pelo núcleo ferroso da Terra.

    É sempre preciso cuidado com as correlações estatísticas mal explicadas. Primeiro, as correlações encontradas são sempre fracas, depois pode haver outras explicações. Assim, sem pensar muito, arranjo-te já uma: As catenárias nunca passam no centro das cidades, zonas nobres e portanto caras. A qualidade de acompanhamento médico é proporcional à riqueza pessoal, logo a incidência de problemas de saúde é menor em pessoas que vivem longe de catenárias (mas a catenária não teve nada a ver com isso).

    Ou, se quiseres pensar de outra forma, há trabalhadores que passam o tempo todo perto de equipamentos de média tensão (50kV), nas centrais de produção. Estão expostos a campos duas ordens de grandeza superiores, e não há registos de doenças de trabalho estatisticamente relevantes nestes grupos.

    Se conseguires ignorar o problema estético e a hipótese de, numa tempestade, o poste cair ou um cabo se soltar — bem menos remota do que uma leucemia — então um cabo de alta tensão é uma excelente arma de negociação para conseguir um preço em conta.

    Posted Agosto 21, 2007 @ 13:22
  2. Pedro Pais says:

    Sérgio,

    Muito obrigado pelo teu [detalhado] comentário.

    Os meus comentários de correntes eléctricas e electromagnetismo é limitado, pelo que não tenho grandes capacidades de argumentar contigo sobre esse assunto.

    De qualquer forma, o estudo da DGS certamente que terá alguma validade e fundamento técnico, pelo que penso que não será adequado descartarmos de forma leviana os resultados obtidos. É certo que as correlações estatísticas levantam muitas questões, mas não podemos assumir, à partida, que se trata disso.

    Já agora, a incidência de problemas de saúde é influenciada, em muito, pelo meio que nos rodeia. Quanto à riqueza pessoal e acompanhamento médico, não deve haver muitos cancros, por exemplo, que possam ser prevenidos por cuidados médicos adicionais*.

    * Claro que a detecção precoce é fundamental.

    Posted Agosto 22, 2007 @ 14:59
  3. Guidinha says:

    Vim parar à sua página porque andava a informar-me sobre a exposição da população aos campos electromagnéticos … e fui ficando.
    Hei-de voltar, com mais tempo.
    Saudações.

    Posted Agosto 24, 2007 @ 14:08
  4. Pedro Pais says:

    Obrigado pela visita, espero continuar a contar com a sua presença!

    Posted Agosto 24, 2007 @ 14:14
  5. António Cruz says:

    Olá Pedro,

    deparei-me hoje pela primeira vez com o teu blog por ter informação que me interessava.

    Penso que o Blog está bem estruturado e Parabéns pela iniciativa.

    Quanto ao tema deste post, e já que as tuas preocupações com a saúde são evidentes. Gostaria de sugerir, quando da procura de localização para nova casa, que procures um sítio onde te possas deslocar ou a pé, ou de bicicleta.

    Um dos flagelos da nossa sociedade, é de facto o sedentarismo. Doenças como a obesidade, problemas respiratórios e cardio vasculares proliferam rapidamente, muito por culpa do excesso de inactividade física no nosso dia a dia.

    Acredito que as pessoas devam escolhar locais para viver, onde não tenham necessidade diária de se deslocar de automóvel. A ida ao cinema, loja do cidadão, hospitais, escolas, emprego e até mesmo supermercado devem, na minha opinião ser feitas sem usar automóvel. Ao caminhar ou pedalar (caso da bicicleta, da qual sou utilizador regular) deve ser tido em conta quando se pensa em comprar uma casa.

    Penso ser evidente, que a qualidade do ar e também do nosso próprio modo de vida piora sempre que se opta por viver longe do trabalho. Para além de consequências ao nível familiar, com menos tempo para passar com os filhos ou parceiro, existem tremendas consequências na vivência das cidades.

    Uma cidade “pulmão” como Lisboa, que de noite é desértica e de dia um caos de trânsito, não me parece ser de todo, significado de boa qualidade de vida.

    Pior que os cabos de alta tensão, parecem-me existir problemas ainda mais difíceis de evitar como a poluição que consumimos todos os dias, peso que ganhamos ao volante de veículos ou depressões geradas pelo stress.

    Não argumentei a minha opinião com estudos, por pensar que todos nós podemos arranjar estudos que ajudem a nossa opinião. Ou seja, quem defende que não há aquecimento global irá apontar estudos que dizem que é uma ocorrência normal e cíclica, da qual o homem não é responsável, assim como o vendedor disse que não existem estudos conclusivos sobre os cabos.

    É interessante como primeiro geramos uma opinião e de seguida vamos tentar argumentar em favor dela e procurar os estudos que mais nos convêm.

    Não quero com isto dizer que não acho importante o rigor científico, e que os estudos não têm validade, de qualquer modo fica a reflexão.

    Abraço.

    Posted Agosto 26, 2007 @ 18:19
  6. Pedro Pais says:

    António, muito obrigado pelos elogios, sinto-me lisonjeado.

    Ainda que concorde contigo, acho que a nossa civilização, em geral, ainda se encontra longe da possibilidade de uma utilização muito reduzida de automóveis (ou de outros transportes públicos).

    Verdade seja dita, a existência de espaços verdes, de comércio próximo e a possibilidade da deslocação pedestre para o trabalho são miragens para o comum dos mortais.

    Lisboa não será um exemplo de uma cidade cheia de qualidade de vida, sendo prejudicada pelos factores que enuncias: poluição, barulho, falta de ciclovias e uma geografia altamente acidentada (que por si só não é negativa mas que complica toda a envolvente).

    A questão da opinião é realmente muito interessante. O facto de procurarmos factos que consubstanciem a nossa opinião é inegável e por vezes é mesmo difícil tentarmos ter uma visão totalmente imparcial. A minha visão dos cabos de alta tensão, com ou sem estudos, será sempre negativa.

    Abraços e muito obrigado pelos comentários. Continua a passar por cá.

    Posted Agosto 27, 2007 @ 10:55
  7. antonio saraiva says:

    Boa tarde a todos.

    Muitos parabens pelo blog.
    Pessoal já se lembraram que existe muitos interesses dos nossos vizinhos espanhois para que se levante todo este ruido sobre os cabos de alta tensão.
    Porque será?

    Posted Dezembro 2, 2007 @ 12:14
  8. Pedro Pais says:

    António, queres detalhar um pouco mais o teu comentário?

    Posted Dezembro 3, 2007 @ 13:14
  9. Elga says:

    Olá! vim parar aqui a este blog, por curiosidade sobre este tema, e por me ter deparado com postes de alta tensão a passarem perto do local onde vivo. Gostava de saber qual é o raio que abrange o campo magnético de um poste destes e para saber se onde vivo é uma zona abrangida pelo campo magnético.
    Gostei muito do seu blog. Obrigada.

    Posted Dezembro 10, 2007 @ 21:41
  10. Pedro Pais says:

    Elga,

    Esse é um assunto pouco pacífico. Há quem diga que a mais de 2 metros já não há radiação significativa. Há quem diga que tal só acontece depois dos 600 metros. A realidade, qual é? Não sei.

    Certo será que os postes de alta tensão não serão benéficos, pelo que quanto maior a distância, melhor.

    Posted Dezembro 10, 2007 @ 22:09
  11. Manuel says:

    Parabéns por fazeres referência a um tema que nos toca,a todos nós que moramos em zonas menos nobres, ou seja menos caras!!! Entao so queria que pensassem que se não é coincidência o facto de persistir maior aparecimento das doencas referiadas com a alta tensao, então o que é?especulação, ou estatisticamente falando a mania da perceguição!!!!

    Posted Dezembro 13, 2007 @ 0:36
  12. Pedro Pais says:

    Manuel,

    Apesar de tudo acho que ainda não há consenso científico quanto aos impactos. Apesar de perceber um pouco de estatística, não sei o suficiente (nem tenho os dados) para me permitir aferir a realidade.

    Mas afirmo mais uma vez que preferia, todos os dias, estar longo dos tais cabos.

    Posted Dezembro 16, 2007 @ 20:38
  13. Ana says:

    Boa noite Pedro,

    Achei este blog muito interessante. Andava a investigar sobre postos de transformação de media tensão. É que visitei uma moradia que adorei mas tem a alguns metros um posto de transformação de media tensaõ de distribuição urbana. Apesar dos cabos ter passagem subterranea , tenho algumas duvidas …….Sabes se é prejudicial para a saude ? Não consigo encontrar muito informação sobre este assunto.
    Ana

    Posted Junho 26, 2008 @ 21:11
  14. Pedro Pais says:

    Ana,

    Eu saber ao certo não sei, mas se ler o artigo acima vai obter a minha opinião :)

    Posted Junho 27, 2008 @ 22:41
  15. Ana Antunes says:

    Olá, estava pesquisar sobre linhas de alta tensão e encontrei toda esta informação, que me ajudou. Estive a ver uns apartamentos que têm dois postes de electricidade nas traseiras, como é que posso saber se são de alta ou baixa tensão?
    Ana

    Posted Julho 1, 2008 @ 20:02
  16. jose says:

    Olá, estava pesquisar sobre linhas de alta tensão e encontrei toda esta informação, que me ajudou. Estou para construir casa ao pé de uma torre electrica, como é que posso saber se são de alta ou baixa tensão?
    Obrigado pela atençao e parabens pelo blog.
    José

    Posted Julho 28, 2008 @ 0:27
  17. jose candeias says:

    Coloquei no Google a pesquiza TANB, e vim parar a um “forum de opiniões / questões sobre maleficios dos campos magnéticos”. Obrigado Pedro pois o Blog está muito bom e tirei as minhas duvidas sobre TANB e TAEL, etc.
    Sou electrotecnico de formação e direi ao josé (6) que a Baixa Tensão vai até 1000 V e não necessita de grandes torres, logo o mais provavel é que essa seja de Média ou Alta Tensão.
    Também para os restantes não temam os maleficios da evolução da sociedade, ninguém no seu perfeito juizo quer voltar a viver no século passado. Não se esqueçam que a esperança de vida tem aumentado. A electricidade, os campos electromagnecticos estão presentes quase na totalidade do nosso dia a dia.
    Exitem sempre riscos, de segurança, quando determinadas condições e limites são ultrapassados, e por isso devemos evitar viver junto a esses monumentos industriais tão necessários ao nosso bem estar.
    Não se esqueçam que convivem com o perigo dentro das vossas casas….a electricidade mata, por electrocussão, mesmo em Baixa Tensão.

    Bem haja ao Pedro Pais.

    Posted Julho 29, 2008 @ 14:18

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