A realidade dos seguros de saúde
Publicado Abril 23, 2007 by Pedro Pais
Sobre os seguros de saúde, tal como sobre todos os outros seguros, existem duas perspectivas:
- A do segurado
- A da seguradora
Perspectiva 1: O segurado espera que a poupança (o capital reembolsado, portanto) seja superior ao prémio do seguro. Nesta situação ganha o segurado, perde a seguradora.
Perspectiva 2: A seguradora espera que o capital a reembolsar ao segurado seja inferior ao prémio do seguro. Nesta situação ganha a seguradora, perde o segurado.
Caso a Perspectiva 1 se prolongue, adivinhe o que vai acontecer. A seguradora, sabendo que consistentemente perde dinheiro com o segurado ou não renova a apólice ou então aumenta substancialmente o prémio. Resultado, o segurado vai perder.
Caso a Perspectiva 2 se prolongue (e que é o que normalmente acontece), o segurado perde. Por outro lado, o segurado pode fartar-se da situação e terminar a apólice – neste caso perde a seguradora.
Como facilmente se conclui, este é um jogo em que dificilmente os dois intervenientes ganham, tal só sucedendo em casos muito particulares (quando a poupança do segurado em despesas médicas é superior ao prémio pago, mas o capital reembolsado pela seguradora é inferior ao prémio).
A juntar a esta realidade estão ainda os outros fantasmas dos seguros de saúde:
- Períodos de carência
- Idades limite
- Doenças suportadas
- Capital disponível
- Autorizações e pré-autorizações
Dado que as seguradoras são conhecidas pela sua solidez financeira, acredite que no longo prazo raramente compensa ter seguro de saúde. Excepto, claro, se não formos nós a pagar (e.g. seguro de saúde oferecido pela entidade empregadora).
Nos próximos dias falarei aqui de um outro seguro de saúde, diferente dos tradicionais e que, não sendo perfeito, tem uma lógica que beneficia seguradora, segurado e mesmo entidades médicas em simultâneo.
Artigos relacionados:
boa noite
tenho ADSE, e 55 anos, será vantajoso subscrever um seguro saúde?
Obrigada
Caro Pedro,
Com o devido respeito, esta sua mensagem não me parece muito lógica.
Claro que as seguradoras ganham dinheiro porque em 10 só 2 vão usar o seguro de saúde, os restantes ficam a perder… mas nós compramos o seguro de saúde porque podemos estar nesses 2. Compramos segurança.
Sinceramente não vejo qualquer sentido lógico no que escreve.
@João,
O problema é que não compra segurança, pelo menos quando precisar a sério de cuidados de saúde.
Ainda que dum ponto de vista global tenha razão, quando estamos a falar de um caso individual, qual é o incentivo de uma seguradora manter um cliente que, tendo contraído uma doença crónica, lhe dá mais prejuízo que lucro? A verdade é que não tem nenhum incentivo, pelo que a médio prazo o prémio do seguro torna-se proibitivo ou a seguradora não renova a apólice.
Note que este caso não é como um seguro automóvel. Num seguro automóvel o segurado pode até vir a ter um acidente, mas é uma ocasião pontual. Uma doença, por outro lado, pode afectar o resto da vida ou um grande número de anos.