Crédito ao Consumo

Publicado Abril 10, 2007 by Pedro Pais

Existem alturas da nossa vida em que, por um ou outro motivo, queremos algo para o qual não temos liquidez (leia-se dinheiro) suficiente, pelo que obtemos um crédito. Regra geral obter crédito para consumir um bem/serviço é um mau negócio, mas há uns piores que outros.

Bem-vindo ao Mundo do crédito ao consumo: Cofidis, Mediatis, Credibom e afins. O milagre do dinheiro e a desgraça de muitos.

Que lhe parece pagar €1400 de juros para um crédito de €5000, isto em dois anos? Ou então pagar €3700 de juros para o mesmo crédito em 58 meses? Ou seja, pagar uma taxa de juro anual efectiva que ronda os 30% (relembro que um bom depósito a prazo tem uma taxa líquida perto dos 3%)!

Se não fui suficientemente claro, a mensagem é:

A não ser que a sua vida dependa disso, não se meta num crédito deste género.

Os créditos ao consumo rápidos, oferecidos por empresas como as acima mencionadas, são um grave incentivo ao espírito consumista e despesista. Infelizmente a única mensagem que é efectivamente passada é o baixo valor da prestação mensal, mas um simples cálculo (como acima exemplificado), demonstra que os juros assumem uma proporção gigantesca do valor do crédito e facilmente podem danificar um orçamento familiar.

É importante que as pessoas entendam que os créditos existem como estímulo da economia mas, essencialmente, como uma enorme fonte de receitas das sociedades financeiras.

Já viu a quantidade de publicidade que é feita a estes produtos, na TV, Rádios, Jornais e Revistas e mesmo na Internet? Se calhar é porque realmente o lucro gerado é muito significativo – e caso não tenha atenção, esse lucro pode ser obtido à sua custa.

Tudo bem, mas eu preciso MESMO do dinheiro.

Precisa mesmo? Pense bem, talvez não precise mesmo… Ir de férias, comprar um vestido novo ou a última televisão talvez não seja precisar MESMO do dinheiro

Mas se já pensou bem (pense de novo), analise calmamente outras opções, potencialmente bem mais vantajosas. Por exemplo:

  • Crédito pessoal através do seu Banco – Pode dar-lhe mais trabalho, mas certamente será mais barato
  • Crédito nas próprias lojas/entidades – Podem ter acordos que lhe sejam mais favoráveis ou mesmo taxas de juro próximas de 0%

E se numa dessas outras opções lhe recusarem o crédito? Talvez lhe estejam a fazer um favor. Se uma sociedade especialista em finanças pensa que não terá capacidade para suportar esse encargo adicional, não acha que é capaz de ter razão?

Principal critério de escolha

Se já se decidiu em obter um crédito, lembre-se sempre que o seu factor fulcral de escolha deve ser Taxa Anual Efectiva (TAE ou TAEG) e, acredite, uma TAE perto dos 30% é um péssimo negócio.

Artigos relacionados:

  1. Novas regras do crédito ao consumo
  2. Crédito à Habitação do Futuro
  3. Gastadores: poupar e ganhar com o cartão de crédito
  4. Amortizar o crédito à habitação: Espere mais 30 dias
  5. Prazo do crédito habitação

10 Responses to Crédito ao Consumo

  1. Rui Moura disse:

    Grande artigo informativo, como sempre, sobre assuntos cruciais. Parabéns.

  2. Pedro Pais disse:

    Rui, obrigado pelo incentivo.

  3. era_uma_vez disse:

    Bom artigo, parabens.

  4. lurdes nunes disse:

    Acho formidável o artigo só que há pessoas a quem o seu banco nega tudo e mais alguma coisa e a necessidade é premente. Estou a falar de uma amiga minha que tem montes de “bocadinhos” a pagar todos os meses e precisa de mais. Já lhe emprestei bastante e ainda não vi nada nam sei quando vou ver e é por ela que estou aqui. Não sei como a hei-de ajudar a não ser por estes “gulosos”. O que me aconselha?
    Agradecida

  5. Pedro Pais disse:

    Lurdes, será que a sua amiga não tem mesmo forma de poupar dinheiro? Existem muitos custos que são supérfluos e que podem ser eliminados. Pode custar um pouco, mas tem de ser.

    Alguns exemplos:
    - Almoços fora
    - Cafés
    - Cinema

    Para terminar, costuma dizer-se que não se deve emprestar aos amigos, arrisca-mo-nos a perder ambos.

  6. Adélia disse:

    Boa tarde. Tenho um grave problema para resolver, talvez possa ajudar-me. Contratei com uma escola um curso de informática que fiquei a pagar em 18 prestações através de uma instituição de crédito. Sucede que a escola faliu e não deu o curso até ao final, pelo que estou a pagar por um curso que não frequentei até ao fim. Poderei fazer alguma coisa?

    Obrigado e parabéns pelo blog, tem informações muito úteis!

  7. Pedro Pais disse:

    @Adélia,

    Quanto ao pagamento que tem de fazer à instituição de crédito penso que não haja nada a fazer, tem de o assumir como se tivesse pago a pronto (ou seja, o dinheiro já tinha “ido”).

    Contudo, uma vez que a escola entrou em falência antes de lhe fornecer o curso, é possível que possa tornar-se credora da mesma. Infelizmente o processo não deve ser nada simples. Se for um valor pouco significativo o melhor é falar com a DECO ou Instituto do Consumidor, se for um valor mais elevado talvez valha a pena falar directamente com um advogado.

  8. lurdes nunes disse:

    Olá Pedro
    Em Fevereiro de 2008 enviei-lhe um mail a dar conta de uma situação financeira de uma amiga minha onde lhe pedi alguns conselhos e lhe disse tb que já lhe tinha emprestado dinheiro e não sabia quando ou mesmo se o chegaria a ver. O Pedro respondeu-me e bem, que quando se empresta dinheiro a amigos às vezes se perdem os dois. Concordo, só que desta vez, o bendito
    dinheiro chegou ao fim de quase dois anos, MAS CHEGOU, com grande alívio meu pois não era assim tão pouco. Boa tarde e obrigada

  9. Pedro Pais disse:

    @Lurdes,

    Ainda bem que assim foi. Espero que já não volte a passar por tal aperto.

  10. Jgomes disse:

    Diz o ditado….

    Se queres perder um amigo, empresta-lhe dinheiro!

Deixe um comentário

*


Quero receber notificação de novos comentários. Posso também receber os novos comentários carregando aqui.