Estabilidade financeira: 4 passos
Publicado Maio 15, 2007 by Pedro Pais

Ter uma vida financeira estável pode ser uma odisseia dependente de diversos factores, alguns dos quais difíceis de controlar. Por outro lado, temos alguma capacidade própria de decidir o nosso destino, pelo que apresento hoje 4 simples passos básico de controlo e orientação da vida financeira.
1. Diminuir o crédito
O crédito pode ser, em certas alturas, um mal necessário para comprarmos aquele bem que tanto precisamos e para o qual não temos disponibilidade imediata – e.g. a aquisição de habitação. Mas na maior parte dos casos o crédito é financeiramente muito prejudicial, implica uma prestação mensal fixa (a abater ao seu orçamento) e inclui juros altos, especialmente no caso do crédito ao consumo.
O primeiro passo para atingir a estabilidade financeira é amortizar o máximo possível dos seus créditos, eliminando-os se possível. A este propósito escrevi um artigo que mostra quais as vantagens de amortizar antecipadamente o crédito à habitação – que é dos menos caros.
O único bom crédito é aquele que é gratuito – e a maior parte não o é.
2. Conhecer as suas despesas
Se for como a maioria das pessoas, não saberá (nem sequer aproximadamente) onde gasta o seu dinheiro. E é normal, pois temos imensas despesas com que contar: alimentação, gasolina, jantares, prendas, electricidade, telemóveis… Como calcula não é positivo (a não ser que o dinheiro não seja a mínima preocupação), pois não lhe permite avaliar o seu perfil de consumo e logo não consegue precisar em que tipo de despesas gasta mais dinheiro.
Para que possa passar ao passo 3 é imprescindível tomar nota do que gasta. Utilize o Excel, uma base de dados profissional, o que quiser, mas tome nota (uma hipótese é adoptar esta calculadora de despesas). Adopte o grau de obsessão que achar adequado, mas é conveniente ser detalhado.
3. Poupar
Agora que já sabe onde gasta o seu dinheiro, é preciso poupar. Comece por examinar as categorias de despesas que correspondem a 80% das suas despesas e pense em maneiras de as diminuir. Aqui vão alguns exemplos:
- Comer menos vezes fora
- Comprar mais produtos de marca branca
- Evitar compras por impulso
- Ponderar bem as escolhas, essencialmente de produtos de valor significativo
- Fugir de compromissos de pagamentos mensais fixos (time-sharings, assinaturas de produtos, etc…)
Poupar é o passo mais simples de perceber mas talvez o mais difícil de pôr em marcha. Não só nos é difícil evitar gastar como temos dificuldade em descobrir de que forma podemos poupar. Um exercício esforçado mas importante.
4. Investir
O último passo para a consolidação da sua situação financeira é investir. Uma parte significativa do dinheiro que consegue poupar deve ser aplicado nalguma espécie de investimento financeiro. Pode ser algo tão simples e seguro como um depósito a prazo, o que interessa é investir (aproveite para conhecer a oferta de investimentos do ActivoBank7, do BigOnline e do Best).
A título de exemplo, uma poupança mensal de €100 aplicados a uma taxa de 4%, rende mais de €36 000 ao fim de 20 anos.
Lembre-se que o futuro da Segurança Social é, no mínimo, incerto. Poderá ter de contar com que a sua reforma seja o resultado do investimento da sua poupança ao longo dos anos. E não há capacidade de investimento sem poupança.
Artigos relacionados:
Também concordo que é importante o contacto pessoal, mas nesses casos também é preciso maior cuidado para não irmos na lenga-lenga do que nos querem vender.
Estou curioso.. que bancos dão 4% ao ano ? Nunca vi nenhum.
Tiago,
O BigOnline, por exemplo, tem um depósito a um ano que rende 4,13% (http://www.bigonline.pt/pt/PoupancaRendimento/depositosprazo.asp), brutos.
Mas um portfolio de investimento misto pode, sem grandes dificuldades, atingir esses valores.
Muitos bancos, cito alguns:
BIG 8% (1 Mes)
Activo 7% (1 Mes)
CaixaDuero 4,2x% (2 Meses)
Banif 4,15% (2 Meses)
Neste momento aconselho a realizarem aplicações a curto prazo, nunca por periodos superiores a 3 meses.
Porquê a curto prazo?
Realmente também fiquei com essa questão em aberto Óscar. Qual a razão porque aconselha a aplicações a curto prazo?
Boas,
Não quero que fique nada em aberto.
É simples temos de ver os sinais da economia e a previsibilidade dos consumidores.
Sabemos que o Banco Central Europeu vai aumentar as taxas de juro, assim os bancos que necessitam de cativar clientes ou financiamento com o € dos clientes tem de corresponder a este aumento.
Ao nível dos consumo, o início do Verão é sempre marcado um aumento no consumo interno, favorecendo o movimento e a circulação do dinheiro, aumentado a necessidade de euros.
Nunca se esquecam não importanta o que ganhamos, mas sim o que perdemos por não termos feita a melhor escolha.
Boa Óscar, uma teoria muito interessante.
E cá tou eu outra vez…
Pois é…andava eu aqui pela net a informar-me sobre estas coisas de poupanças e fundos e…tal! (porque sinto-me como o Pedro Santos) e pimba…deparo-me com este fantastico blog!ha pouco tava tao perplexo com meu erro estupido no simulador que nem falei um pouco mais.
Tou a ler e a conhecer este blog na integra para saber o que foi por aqui discutido…e ja aprendi muita coisa…e cimentei muita outra. Essa outra que tenho vindo a obter através da leitura (e fica a sugestão) do livro da DECO – “saber investir”(capa azul bebe), la encontra-se toda uma informaçao financeira incrivel, desde noçoes base tipo PIB, inflação, passando por contas a prazo, fundos de investimento, obrigações, acçoes, certificados de aforro, warrants e ate mesmo ouro. É uma leitura mais exaustiva sobre este assunto mas vale a pena, ate porque toda a informaçao esta muito bem arrumada e portanto nao precisam de ler todo o livro na integra, funcionando como consulta. Passem pelo site da DECO e vejam em “loja virtual”. Podem encomendar o livro e se nao gostarem é so devolver intacto e serao totalmente reembolsados.
E pronto…este blog ganhou mais um leitor assiduo!
Abraço
PS: o livro da DECO chega à nossa morada com uma factura para pagar em 10 dias. Nesse período podem devolver o livro sem ter que chegar a pagá-lo. =P