Euribor em queda – que fazer?
Publicado Dezembro 10, 2008 by Pedro Pais

Com base nas médias mensais da Euribor e nas taxas de referência publicadas pelo Banco Central Europeu, elaborei o gráfico acima que mostra claramente a queda da livre da Euribor e que face à taxa do BCE ainda há margem de descida.
Dada esta realidade, o que devemos fazer?
1. Aproveitar a onda para continuar a poupar.
Nos últimos meses habituámo-nos a viver com taxas de juro mais elevadas e tivemos de optimizar a poupança e cortar no supérfluo. Enfim, apostar no essencial.
Agora que na perspectiva do crédito se avizinham tempos mais optimistas, não devemos deitar todo o esforço por terra. Podemos afrouxar um pouco o rigor, mas continuar a poupar deve ser a palavra de ordem, até porque os tempos próximos são bastante incertos. Portanto, aproveitar a embalagem e não deixar a poupança esmorecer.
2. Investir em depósitos a prazo enquanto estão quentes.
Enquanto sim e não, alguns bancos continuam com depósitos a prazo com taxas superiores a 5% (relembro que à data do artigo a Euribor 3M está abaixo de 3,5%). É de aproveitar enquanto dura, ou seja, se tiver algum dinheiro disponível, aplicar quanto antes e durante o maior prazo possível, para usufruir dos juros altos. Se precisar, pode utilizar a ferramenta de cálculo de juros, para saber quanto irá ganhar.
3. Começar a equacionar as taxas fixas.
Com os cortes nas taxas de juro e com as perspectivas de crise/recessão/etc cada vez mais reais, as taxas fixas serão cada vez mais atractivas. Na minha opinião ainda é muito cedo para passar de taxa variável para fixa, mas é algo a que devemos estar cada vez mais receptivos e abertos.
Relembro que a opção pelas taxas fixas deve ser feita na altura em que custa mais, isto é, quando as taxas estão baixas. Pode ser difícil justificar a opção pela taxa fixa nesse cenário, mas se por tal optar, lembre-se que um dia as taxas também irão subir.
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“Relembro que a opção pelas taxas fixas deve ser feita na altura em que custa mais, isto é, quando as taxas estão baixas. Pode ser difícil justificar a opção pela taxa fixa nesse cenário, mas se por tal optar, lembre-se que um dia as taxas também irão subir.”
então mas se optar por prestações fixas… elas não sobem nem descem o valor é sempre o mesmo pelo mesmo período de tempo… se é fixa não altera o valor durante td o tempo das prestações certo ??? independentemente da taxa… ???
O Pedro toca num ponto fundamental, qual o momento ideal perante o cenário incerto que temos, para trocarmos para taxa fixa…
Infelizmente pelo que me apercebo, os bancos entretanto já se estarão a prevenir, impondo limitações às ofertas de empréstimos como prazos mais reduzidos e spreads mais elevados, pelo que temo que chegado o momento certo para trocarmos para a taxa fixa, não existirão produtos atractivos com este tipo de taxa…
Gostaria de “ouvir” a sua valiosa opinião acerca deste assunto, quem sabe em forma de post…:)
Deixo uma pergunta sobre o que escreveu: tenho um emprestimo a 30 anos de que faltam ainda 26, sugere a mudança para taxa fixa, eu o que estava a pensar era aproveitar a descida das taxas para alterar a duração do emprestimo, continuando a pagar o mesmo mensalmente mas reduzindo o numero de anos, o que me iria permitir a longo prazo pagar muito menos de juros. Será que me está a espacar alguma coisa que devo ter em conta? Claro que estou a ter em conta que a médio prazo podemos voltar a ter subidas dos juros.
Bom dia!
De repente deparei com o seu blog, e achei-o bastante interessante, mto elucidativoe de fácil consulta!PARABÉNS!!
À questão da Euribor em queda, faz-me confusão, pois tenho um empréstimo no BPI indexado à Euribor a 3 meses, e qual não é o meu espanto quando me enviam uma carta a informar que a taxa de juro praticada por aquele banco subiu de 5,2610%(agosto2008) para 5,4130% !! Inacreditável!A minha pergunta é, mas no mês de outubro a taxa Euribor não baixou ou foi pura ilusão de óptica!! Será que podia explicar isto? E como se chega à taxa final paga pelo cidadão a partir da taxa euribor?
Muito Obrigado pela ajuda, continuação do Excelente trabalho!
Atenciosamente,
Fernando Moreira
Bom dia.
Li o seu artigo e cada vez mais fico intrigada com a minha situação pessoal: tenho um empréstimo para habitação contraído ainda no regime bonificado com taxa indexada à Euribor a 6M. A actualização da taxa foi feita em Novembro para começar a vigorar em Dezembro até Junho.
Acredita que, além de não baixar o valor da prestação, ele ainda subiu 5 euros??!! O Banco só dá desculpas esfarrapadas (a meu ver) mas confesso que não consigo contra-argumentar porque não percebo nada desta linguagem económico-financeira. Pode ajudar-me?
Atenciosamente,
Joana
exemplo para taxa fixa a 30 anos:
06/12/2008: 2.667%
07/12/2008: 3.015%
08/12/2008: 3.309%
09/12/2008: 3.358%
(fonte: Barclays)
Alguem me explica porque é que estas taxas estão a subir tanto quando a Euribor desde a pique o BCE faz cortes históricos nas taxas de juro?
Notifico aqui que as taxas fixas são iguais para todos os bancos que ofereçam esta hipotese: nenhum banco pode colocar as taxas fixas que lhes apetecer… O valor das taxas fixas para a Europa é divulgado diariamente por um organismo chamado ISDA.
Bom dia a todos.
Fernando Moreira e Joana
A vossa situação depende da data da revisão, pois os empréstimos revistos com a média de Outubro, em que a diferença se repercute agora no mês de Dezembro ainda sobem. Mas para perceberem melhor consultem a página (Média mensal da euribor) encontram lá muita informação disponível.
Marco Araújo
As taxas de juros que postaste são para uma taxa fixa a 30 anos, como deves ter reparado existem taxas fixas a 1, 5, 10, 15 e por aí fora. É claro que quanto maior for o período, maior o risco do banco, logo maior a taxa de juro. Se fores ver o histórico notas que também estas estão a descer.
O que o Pedro diz é muito certo, ainda é cedo para nos antecipar-mos e optarmos por uma taxa fixa. Pois se a previsão é que as taxas continuem a descer, temos de esperar pelo momento certo, pois ainda não é certo até onde elas vão descer.
Depois é uma questão de cada um ver qual a que melhor se adequa a si próprio, certo é que quanto maior o período, maior a taxa.
Boa tarde,
Joana, a situação é normal pois a prestação foi actualizada em Novembro para começar a pagar em Dezembro e à data de Novembro a euribor estava no seu ponto mais alto.
Há uma forma de, em certa medida dar a volta à situação, que é pedir a revisão do indexante de 6 meses para 3 meses. Nesta altura de baixas de juro, fará que os juros se ajustem muito mais rápidamente, além de que, ao alterar o indexante, logo no mês imediatamente a seguir se usufrua da alteração.
Agora pode-se pedir a alteração neste mês, e terá reflexos no mês de Janeiro com uma baixa da média da euribor de cerca de 0,9 %, ou espera-se mais um mês, e pede-se em Janeiro para ter efeitos em Fevereiro e terás uma baixa de perto de 1,6 % o que, neste caso, será um valor muito agradável.
Espero ter ajudado.
Grabulho:
As taxas fixas a 15 e a 25 anos são superior às taxas a 30 anos.
Observei o histórico das taxas fixas a 30 anos. Em 2004 quando a euribor estava a 2%, a taxa fixa estava a 5%. O mês passado com a euribor a 4%, a taxa fixa estava a 2.7%… As taxas euribor estarem altas ou baixas não tem implicações nenhumas na taxa fixa.
A taxa fixa a 30 anos é uma estimativa do valor médio da euribor ao longo dos próximos 30 anos, feito por consórcio de banco. A euribor pode estar baixa hoje, mas pode haver previsões de que ela vá subir daqui a 2 anos, logo a taxa fixa sobe. Tão simples quanto isso…
Quanto a esperar que a Euribor desça para fazerem taxa fixa: uma coisa não tem nada a ver com a outra!! A euribor actualmente está a descer à 45 sessões consecutivas e no entanto a taxa fixa está a subir todos os dias…
@Todos.
Sempre que a questão for um pouco mais complexa, peço-vos que abram um novo tópico no fórum, pois é mais fácil seguir as discussões.
Abraços a todos.